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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cartas à Senhora Solidão: 1ª Carta


Meu objetivo com estas postagens que vão se seguir, das Cartas à Senhora Solidão, é investigar, primeiramente a partir da minha própria experiência, e na medida do possível vou procurar outras bases também. Mas a prioridade é o que eu acho, o como eu defino. Portanto, não leve muito a sério o que escrevo. A não ser que depois de longa reflexão você acredite que eu esteja certo e depois de comparar estas informações totalmente alienadas de posições de psicólogos ou até mesmo teólogos, com a de profissionais: chegue à tua conclusão mais segura sem permitir que os mitos, quer seja de “blogueiros”, de religiosos ou cientistas, subjugue a sua subjetividade. Seja livre, pense, fique em crise e escolha. Mas, sem delongas, quero ir logo à primeira carta. E como gastei algumas linhas escrevendo esta introdução, irei avançar algumas outras mais para compensar. Se estiveres ocupado por agora e não puderes ler tanto, leia de pouco em pouco, ou então, na mais triste das opções, não leia. Publicam muita bobagem hoje em dia, esta é mais uma.




            Senhora Solidão,


            Escrevo porque preciso dizer-te algo que está ao fundo do meu coração. E na verdade, não é um mero falar. Preciso mesmo dialogar, refletir a dois ou a sós, sobre a nossa relação. Sei que estamos muito próximos um do outro e que a Senhora quase sempre vem me ver. Podes imaginar então que seria mais prático dizer-te em palavras audíveis logo de uma vez: O que é prático nem sempre funciona, conforta ou orienta. Aliás, quase nunca! Porque se desejamos encontrar respostas devemos abominar o prático, porque uma resposta pode mudar tudo: Em que acreditaremos? Não digo com isto que a verdade seja simples ou complexa (não quero entrar no assunto), apenas que a busca por ela não é. Facilmente encontramos a mentira e nela nos detemos, e para que não morramos nesta areia movediça sem nos darmos conta é necessário sempre de novo verificarmos onde estamos pisando. A verificação da realidade, da verdade, é então metódica, sempre deve ocorrer de novo, e nunca sendo confiante nas aparência: o que parecia chão pode afundar!
        

terça-feira, 27 de setembro de 2011

2ª Parte: O Sofrimento e a Felicidade: Sobre Os Personagens: I.Priscila


Eu ainda pensei em ir estudar primeiro antes de escrever aqui. Mas o provável é que terminando de estudar eu estarei tão cansado que a coisa que eu menos vou desejar fazer é digitar. Portanto, como eu prometi ontem, contarei um pouco sobre a vida dos nossos noivos.
            Gostaria de começar com Priscila. É filha de família assembleiana, ou seja, de membros da Igreja Evangélica Pentecostal Assembleia de Deus. Esta igreja tem fama de ser das mais rígidas, e de fato o é. Não em todos os lugares, há certa diferença entre igrejas do interior e dos grandes centros, por exemplo. Mas, a dela ainda era uma dessas muito rígidas. O que significa que usar um brinco, batom, calça, biquíni, cortar o cabelo ou tratar o cabelo, enfim, era tudo isto: vaidade e pecado. Ousar ir além dos “limites de Deus” significava “ser um instrumento de Satanás”. A família era, contudo, bem abastada. O pai dela era funcionário publico e ganhava muito bem, e a sua mãe não ganhava tanto, mas também tinha seu trabalho: era professora do ensino infantil. Moravam num bairro nobre.
            Na sua adolescência Priscila era uma garota muito bonita: loira, olhos azuis, a pele branca como a de qualquer garota para quem fosse pecado usar biquíni na praia. Mas, o bronzeado não fazia falta, a garota era linda. Seus lábios vermelhos como sangue e finos: de uma delicadeza tão cordial que fazia não poucos suspirarem. Seus nariz era reto e lhe dava um ar de realeza europeia. Era de uma altura considerável, 1,76. Enfim, tudo isto se somava a um seu maior sonho: a sua libertação. Do que? Dos seus pais e da sua igreja! Ora, quem poderia suportar isto. Uma garota tão bela, agora possuía seus 16 anos e enquanto todas as outras amigas tinham seus cabelos bem tratados, roupas lindas, uma liberdade incrível para saírem com rapazes e para participarem de várias atividades de jovens de sua idade: ela tinha que manter seu cabelo sempre cumprido, sempre de saia, sempre discreta. Era uma imposição que ela não entendia. E se não entendemos não podemos amar, e se não amamos odiamos. E odiamos não naquele ódio que deseja destruir, é o que deseja se afastar, era uma repulsa que ela possuía por tudo aquilo. Não poucas vezes manifestou sua rebeldia aos pais que entendiam tudo de Bíblia e nada de Vida, não tiveram paciência de escutar, responder, acompanhar metodicamente na dúvida. Foram unânimes: “Você está debaixo do nosso teto e enquanto estiver aqui fará as coisas do nosso jeito!” Era assim mesmo que ela pensava, e por isto, o bom plano era só um: Ir embora!
            Mas, não foi assim que ela esperou. Aos dezessete anos tomou coragem: foi ao shopping com uma tia que sempre tentara lhe “desviar” dos “bons caminhos” e ali comprou umas calças, cortou e pintou o cabelo. Chegou em casa, os pais não estavam, jogou fora boa parte do seu guarda-roupas: “Agora eu faço meu próprio estilo”. E a sensação de ter feito tudo isto foi de fortalecimento de toda a sua rebeldia interna: quando os pais chegaram ficaram furiosos, brigaram com a tia que foi embora batendo portas. 

Gritaram com a filha, um tapa da mãe em seu rosto fez o mundo girar e quando parou, parou de cabeça para baixo. Sem os pais saberem, começou a sair com vários rapazes, ir a festas com suas amigas da escola. E assim foi que ninguém, nem em casa e nem na igreja, desconfiou: depois de um certo tempo os pais até passaram a crer que sua garota, afinal de contas, ainda era uma boa garota e que, todavia, deveria estar passando por uma simples fase. Acreditavam que se orassem Deus iria libertá-la, porque estava escrito "creia e será salvo tu e a tua casa", certa música gospel começou a causar uma sensação diferente para eles: "Eu e minha casa serviremos a Deus...". 

            Bem, leitor, eu passei um pouco do limite do que eu tenho me proposto a escrever todos os dias. Por isto irei parar por aqui. Quinta-feira eu vou postar então mais um pouco a Priscila, eu preciso que ela chegue aos 21 anos. E então, se for possível, também já trataremos um pouco sobre o Glauco, que posso garantir, é a história mais emocionante.

P.S.: Aliás, amanhã não postarei sobre a "Felicidade e o Sofrimento" porque vou postar minha primeira carta à senhora Solidão. Não perca!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

1ª Parte: O Sofrimento e a Felicidade: A noite perfeita.




Numa noite de vinte de agosto, o mês que dizem homenagear o grande imperador César Augusto; a lua é que estava de fato com o ar imperial. Porque todos eram submetidos ao seu brilho descomunal. Tão poderoso que intimidava às estrelas. Grande, iluminada, brilhando com força. O pequeno largo que cortava o parque de tanta admiração não podia conter em sua estreita alma tanta beleza, acabava brilhando junto, refletindo a tal modo a aparência daquela poderosa senhora celeste que o encanto na sua superfície não era em nada perdedor ao do próprio céu. Quem dera pudéssemos olhar ambos ao mesmo tempo, quem dera não ter de escolher, por causa da limitação deste corpo, para quem olhar primeiro e para quem olhar agora.
E eles, o nosso casal, estava sentado, veja leitor, ali, debaixo do ipê-amarelo que esta todo florido sentados em um banco do parque. Sobre as brisas que distorciam a imagem da lua no lago, e que os refrescava, completavam sua terceira semana de namoro. Um olhava com profundidade o olhar do outro: um olhar era lago e outro era lua, vice e versa. De forma que, era tão belo vê-lo no olhar dela, quanto ela no olhar dele. Tão ardente estava este eu-tu, tão vidrado, pedia logo pela fusão. Não queriam mais estas duas criaturas serem duas, mas uma. Era profunda, romântica, erótica e sincera atração.
Abraçados estavam, contudo, tiveram de se "desabraçar", uma separação de poucos minutos foi naquele clima um aparente sacrilégio. Todavia, era paradoxalmente um "soltar" que os ligaria. Glauco se levantou, enfiou a mão no bouço, e ajoelhou-se. A brisa, naquele momento, balançou os seus cabelos castanhos que estavam sobre o tal corte cogumelo. Priscila, por sua vez, não ficou constrangida: ela assistia cinema também e sabia o que se sucederia. Não ficou constrangida, não olhou para os lados. Ouvir tais palavras, tão óbvias, era tudo o que queria mesmo. Não importa quantos curiosos tenham dirigido seu olhar para eles, naquele momento não havia mais ninguém no mundo senão eles dois. Os olhos castanhos dele se encontraram com o olhar azulado dela. Ambos os cabelos, o dele, e o loiro dela, agora eram soprados na mesma direção: pela brisa e pelo destino. "Quer se casar comigo?" Pediu Glauco. E sem pensar direito, sem querer imaginar que três semanas de namoro era pouco ou muito, sem querer saber o que seus pais iriam achar, só veio uma resposta possível: "Sim". A famosa cena, Glauco colocou no dedo dela a aliança de ouro branco que combinava com a lua, e combinava com a glória do resplendor e combinava com o clima: era o momento perfeito para aquele anuncio. Céu, lua, lago, o ipê e um noivado, tanta coisa numa só noite.
A partir de agora temos uma virada na existência destes dois, antes solteiros e agora sendo conduzidos para um matrimônio. Antes, contudo, de continuarmos a história, é mister conhecermos melhor os nossos dois personagens principais. Todavia, como dizem que a primeira impressão é que fica, eu me retiro por hoje, caro leitor, e peço paciência para que eu arranje as melhores palavras para descrevê-los. Prometo que amanhã lhe direi um pouco da história de um dos dois ou de ambos, depende de em que velocidade se desempenhar minha criatividade. Até mais.

E ae galera! Estou voltando a ativa neste meu blog. Como muitos sabem, eu comecei a um tempinho por aqui mesmo. E, todavia, resolvi mudar e escrever junto com alguns amigos, só que eu acabei bloqueando o blog ^^ e agora agente está tentando resolver as coisas. Mas, de qualquer jeito, não se preocupe leitor. Não vou abandoná-lo tal sedutor que está a se aproveitar momentaneamente enquanto a sua esposa não está em casa. De fato, quero ser poligâminico agora (que entendam a linguagem figurada^^ - principalmente o pessoal da igreja-). Pois é, e já que estou voltando e acredito ter adquirido alguma experiência escrevendo junto com aqueles meus amigos, farei algumas significativas transformações por aqui. Espero que gostem, e também, ainda hoje, espero, começarei a escrever de novo por aqui. Primeiro quero mudar o designe, colocar umas novas imagens e taus. E daí eu vou escrever a primeira parte de "O Sofrimento e a Felicidade". Se o nome estiver meio mexicano, enfim, a história é minha vai ter o nome que eu quiser (^^).

domingo, 25 de setembro de 2011

Neemias, um exemplo.


1.      Estruturação da Perícope:

·         Cap. 2:

I.                   Neemias em Susa: vs.1-8;
a.      O rei e o semblante de Neemias: vs. 1-3;
b.      A bondade do rei e a sabedoria de Neemias: vs. 4-8;
II.                Neemias a caminho, os opositores do bem: vs.9-10;
III.             Neemias em Jerusalém:
a.      O período do silêncio: vs.11-15;
b.      O fim do silêncio, a hora de deixar de ser opróbio: vs. 16-18;
c.       Enfrentado os problemas: vs. 19-20.

Era Neemias um copeiro do rei. Cargo de confiança, entre aquilo que comemos e bebemos pode estar um perigo mortal e se quem nos serve não for confiável, bem, teremos algum problema. Ser o copeiro, portanto, tinha lá sua importância. Isto era na cidade de Susã. E embora estivesse em relativo conforto, Neemias iria escutar uma notícia que iria balançar seu sentimental: a cidade do túmulo de seus pais, das memórias de seu povo, estava destruída e o povo que lá ficara quando houve o exílio babilônico, agora era motivo de zombaria dos outros povos.
Neemias se apavorou diante de tal notícia e orou, orou se colocando ao lado do sofrimento de seu povo. Buscando em Deus o perdão pelo pecado que os levara àquela situação. E então, mais do que isto, como que chamado à ação, Neemias pede ao Senhor que lhe conceda graça diante do rei.
Ele irá então servir ao rei. Sua fisionomia falava do seu coração e não poderia ser diferente. Porque estava sobrecarregado, dilacerado pela dor que lhe causava o sofrimento do seu povo. Tal era a expressão de seu rosto que o rei se importou e perguntou: “Porque está triste o teu rosto se não estás doente? Tem tristeza do coração”. Neste momento, ocorria entre o rei e Neemias uma das coisas mais poderosas entre dois seres humanos: empatia. Perceber o que o outro sente. Então, atemorizado, talvez por estar diante de alguém tão poderoso, Neemias abre o seu coração e confessa que não poderia estar alegre diante da situação de seu povo. O rei lhe pergunta o que desejava então afinal de contas, Neemias ora e pede: “Quero ir reconstruir minha cidade, quero autoridade e recursos para isto”. Entraram em acordo quanto à volta de Neemias e o pedido foi aquecido.
Lá ia Neemias carregando as cartas que lhe davam direito a recursos, que lhe sinalizavam a autoridade. E, todavia, como tudo que é real, não haveria apenas coisas boas no caminho mas também infortúnios. Infortúnio por parte daqueles que não podem ver o bem sendo realizado em favor dos oprimidos porque isto lhes significa “fim do domínio”. Mas o nosso guerreiro valente, Neemias prosseguiu. Chegando a Jerusalém esperou o tempo dos sábios para começar a agir, espiou, olhou a situação, planejou e finalmente quebrou o silêncio, conclamou o povo para a ação e lhes mostrou que aquela era a grande oportunidade da libertação, que Deus estava com eles, abençoando.
Todavia, a fúria dos poderosos para com aqueles que se importam com os pequenos se ascende, mas, a coragem é o que importa quando o Senhor é quem abençoa a boa obra.


O garoto e a velha.


Era uma vez, numa outra dimensão, não no mesmo tempo em que sucedeu a história de Neemias mas em um tempo que nos é impossível contar porque o tempo entre os mundos é diferente. Percorre de maneira outra, e então, simplesmente não podemos entender a relação. Cabe-nos apenas dizer que, aconteceu.
Aconteceu que, um pequeno jovem, que se chamava Brasil, tinha apenas seus 500 anos de existência. E passava por maus bucados, filho de estupro, um estupro entre pessoas de origens diferentes: ele nasceu como uma verdadeira mistura de vida. Sua cor era inovadora e bela. E, contudo, os Continentes, como eram chamados os habitantes de seu país, aqueles mais ricos que moravam mais ao norte, principalmente, não respeitavam esta criança. Velhos cruéis, primeiro, o sujeitaram o garoto a trabalhos forçados. A Justiça reclamou e eles o libertaram, mas não totalmente, arrumaram um jeito de chantageá-lo, de fazê-lo em liberdade trabalhar apenas para eles. E assim, criaram um monopólio sobre os seus esforços. O garoto lutou, se esforçou e conseguiu mais uma vez se livrar do jugo. Começou a criar alguma independência, mas os velhos ardilosos não se contentaram com todo o mal que fizeram, agora queriam através de mentiras deslavadas tomar aquilo que era patrimônio dele. E nesta faze já não são apenas os velhos do norte, já alguns do sul mesmo também se despertaram querem se portar como os de lá começam a ambicionar os seus bens.
Todavia, o garoto, apenas 500 anos, está na luta. Sofrendo injustiças, doente, ele sofre de doenças como: miséria, desigualdade, corrupção, violência e drogas. Suas tentativas são brilhantes, mas uma doença está ligada á outra de forma que é necessário ajuda, é necessário o socorro.
Ali não muito longe, no país das Ciências, conversavam numa roda a Senhora História e a Teologia Cristã. Entusiasmadas com o quanto tinham pra tagarelar acabaram entrando na questão da história do tal garoto Brasil. A História se condoía e era triste neste aspecto, a Teologia lhe acompanhava na tristeza. De repente a História propôs: “Vamos agir?” E a Teologia respondeu: “Não, eu tenho que terminar minhas exegeses, fazer minhas reflexões sistemáticas e planejar as melhores maneiras de intervir na sociedade”. A História falou: “Poxa, ainda bem que você foi sábia Teologia, eu quase fui lá, mas eu preciso registrar os eventos, e preciso sempre contar tudo denovo, reclamar, reclamar e sempre reclamar. A história serve, afinal de contas, apenas para vermos os erros do passado, para outros deve ser a tarefa de intervir: quem sabe, a assistência social.” Teologia: “Isto mesmo história, já pensou, se deixarmos o nosso serviço ao rei “Saber” o quanto não perderemos?”
E bem, talvez a história tivesse sido diferente se Neemias estivesse por ali. Talvez, tendo se exercitado bem menos que dona Teologia na exegese não lhe fosse tão difícil entender: “Ama ao teu próximo como a ti mesmo”, como ensinou a Verdade (Mt. 12, 29-31).

sexta-feira, 8 de abril de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Por que acreditei e porque acredito?

Caros leitores, não pensem que eu estou abandonando a prática de escrever poesias. Até tenho algumas novas aqui, mas é que hoje resolvi postar este texto que sinceramente, e modéstia parte, achei importante diante de um crescente ateísmo arrogante. Como você poderá ver, aqui não apresento argumentos pelos quais se prova que Deus existe – isto nem é possível, ficará claro no texto – mas quero mostrar como que o crente não está de maneira alguma em desvantagem diante de um ateu.


 


 

Eu acreditei em Deus, não porque em algum lugar um grupo de cientistas tenha encontrado a fórmula química, ou um fóssil, ou mesmo porque algum piloto ou astronauta tenham esbarrado nas portas da casa do Altíssimo. De fato, minha fé não se baseia em qualquer prova final da existência de Deus, e isto gostaria que ficasse bem claro diante de meus amigos ateus, que vivem me perturbando com suas exigências sobre uma prova da existência de Deus.

Mas também, não tenho uma fé irracional como afirmam os céticos, não estou remando contra a maré, estou indo na direção dela, pois, há evidencias sim e não estou fazendo outra coisa senão minha própria leitura delas.

Em pessoas como: São Tomás de Aquino, William Paley, A. E. Sabra e René Descartes; encontramos alguns argumentos a favor da existência de Deus que sempre falham num ponto: Em garantir que aquilo para que seus argumentos apontam é realmente Deus, o argumento destes não é capaz de descartar o acaso, extra-terrestres, ou quem sabe algo tão diferente de tudo o que já pensamos como sendo a origem de todas as coias. Mas também, ao que parece, deixam pelo menos a possibilidade da existência de Deus.

E, mesmo se os deixássemos de lado, digo, os autores que agora a pouco citei, ainda me restaria que ninguém é capaz de me provar que Deus não existe, o que ainda me deixa a possibilidade de sua existência. Mas também não posso negar que, se há a possibilidade para que sim, obviamente abre-se oportunidade para o não. Pode-se concluir: Deus é algo improvável.

Ora, o improvável é justamente aquilo que nos cerca todo o tempo. Por exemplo: Que os aviões tenham acertado as Torres Gêmeas nos 11 de setembro de 2001 também é algo improvável. Poderia alguém mostrar uma filmagem do incidente, e ai, quem me garantiria a veracidade do vídeo, quem me garante que não é mais um filme, só que feito para me enganar? Então você poderia me trazer parentes das vítimas que me mostrariam as certidões de óbito, seriam mães, filhos ou pais, mas quem me garantiria que não eram na verdade atores? E ainda, poderiam me mostrar os escombros, ou o lugar onde houve o prédio e restaria ainda me provar que aqueles escombros eram dos tais prédios e que realmente pertenceu a aquele lugar.Que eu esteja neste momento, no meu quarto, preparando este texto, também é improvável. Ou alguém poderia provar que eu estive aqui?

Poderíamos continuar isto, e logo nos daríamos conta de que na verdade a realidade é inteiramente improvável, o improvável então se torna muito comum, mais comum do que o provável. E diante de tantas improbabilidades que me resta? Diante do viajante perdido a estrada se divide, temos agora quatro opções para tomar, diante de um aflito que carece urgentemente de "mijar" vê-se várias portas, o jeito é arriscar uma, o jeito é arriscar um caminho. Ele poderia morrer no caminho, e ele, poderia acabar "mijando" nas calças, mas poderia ter achado um bom banheiro, ou poderia ter morrido de fome e sede de tanto caminhar, mas quem sabe uma cidade poderia estar bem ali por perto.

Eu acreditei em Deus porque decidi crer, diante das possibilidades que a vida me proporcinou eu refleti entre minha fé e a incredulidade, entre minha religião e algumas outras, mas, no fim, decidi apostar minhas fichas na fé cristã, aposta arriscada, eu sei, mas qualquer outro caminho seria.

Quando dei meu primeiro passo foi porque eu decidi crer, mas agora, também é possível que ao se aproximar de uma cidade o viajante tenha a impressão de, ao longe, ver algumas casas, telhados ou mesmo fumaça subindo de chaminés e quem sabe ainda seja uma mirajem, uma ilusão provocada pela ansiedade de chegar a algum lugar, mas pode ser uma cidade mesmo. Ou quem sabe, o cara querendo o banheiro ao entrar no corredor das portas ouve uma descarga que parece indicar o caminho, e pode ser qualquer outra coisa que não uma descarga a fazer o barulho, pode ser de novo a mente produzindo coisas, mas, pode ser mesmo o banheiro. Desde que eu comecei a crer em Deus em mim começaram a acontecer mudanças, que podem ser provocadas por mim mesmo, pela minha mera expectativa ou pode ser realmente como cremos a ação do Espírito Santo. Eu penso já ter tido sinais de Deus, que podem ser também enganos. Mas, ainda aqui eu decidi crer, realmente acho que no fim vou me encontrar com o Cristo ressurreto, é loucura, sim, tanto quanto não acreditar, o risco de viver uma ilusão, o risco de ir para o inferno, enfim.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Preconceito


Preconceito,

aprisionamento,

de si

de terceiros.


 

Medo,

de corromper,

com o outro

acabar parecendo.


 

Defesa,

ambição,

de esconder

o crime que condena.


 

Ignorância,

de si,

incerteza de ser,

incapacidade de aprender.


 

Desconhecimento,

do outro,

do contexto,

do drama.


 

Assassinato,

da alma,

engessamento,

da vida.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Tempo Nojento


Tempo, medida da vida.

Uma hora, dois minutos,

se derramam os segundo,

em breve: Óbito.


 

Tempo, grande ave,

leva a todos em suas azas:

da existência para a morte,

por tua corpulência não há quem volte.


 

Tempo, grande lei,

implacável mordomo,

que parece que magoei,

não perdoas, não livras desta sina.


 

Tempo, obrigado,

tu dás sentido à vida,

se eu não houvesse em ti

amar já não seria urgência

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Poesia mais Linda

A poesia mais linda
não é outra,
senão aquela que se escreve
inspirado pela vida.

Seus versos vêm
do coração.
A sua razão namora
a sensação.

A sensação de que estamos vivos,
isto, por si só, é lindo:
Misterioso, Romântico,
Eloquente, Verdadeiro.

Não significa porém
que na vida do poeta
vá sempre tudo muito bem.
A vida compreende dias escuros também.

E também não pode ser,
que o poeta somente descreva,
ele critica. Fala de uma vida,
que por ele mesmo é vivda.

Edgar Parreira França

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A máquina



 

A máquina:

maravilha das maravilhas,

solução divina,

grande facilitadora da dura rotina.


 

Ela mesma faz as compras.

A máquina: Cobra,

empacota, entrega.

Ai recebe: desembrulha e emprega.


 

Comigo joga xadrez,

movimenta na minha vez,

calcula o melhor movimento.

Xeque- Mate. De novo venço.


 

Caminho na esteira,

ela mesma coordena: Terça à quinta-feira.

É meu "personal trainer", me ajuda.

Perfeita caminhada.


 

Me põe na cama,

lê uma história ou recita poesia,

Me embrulha. Me beija.

Boa noite, deseja.


 

Agora já é dia:

Me acorda. Levanta: Ao banheiro.

De frente ao espelho me penteia.

Escova meus dentes. Lava meu rosto. Abotoa.


 

Na cozinha: Café da manhã.

Ela mastiga, põe na minha boca.

Me faz engolir.

Já é hora: para o trabalho tenho que ir!


 

Mas a máquina, ela mesma me leva,

pelos céus me transporta,

chegando lá nem preciso trabalhar.

Ela faz tudo, só preciso fiscalizar.


 

Hora de sair,

aposto que até já sabes: Ela mesma me faz vir.

Me recebe, troca minhas roupas:

Me acomoda. Verifica a agenda.


 


 

Agora é hora do sexo.

Ela lê a minha mente: Agora é o momento certo.

A porta se abre de repente,

vem lá uma forma de mulher, quase gente.


 

Depois do orgasmo ela me limpa.

Tudo organizado, volta ao armário

onde o belo robô fica guardado,

para que outra vez, em breve, seja utilizado.


 

Tendo a máquina,

de mais nada se necessita.

Faz tudo com perfeição.

Que poder da inteligência: Ápice da evolução!


 

Já não precisamos dos lábios,

do pênis, da vagina, das costas ou das pernas,

dos ouvidos e nem dos braços.

Do coração, da relação.
Edgar Parreira França 



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Sol vai Voltar.

oPorque não me ouves?
Estas sempre a te defender,
Como se meu objetivo fosse te ofender.
Não prometo deixar de fazer isto,
Mas eu admito: Quero ver você viver.
Por isto é que eu grito!
Quem sabe assim tu te despertes desta ilusão,
E me concedas verdadeira riqueza,
Que tu confies em mim.
Não tenho toda a verdade,
Ao menos te falo com sinceridade.
Mas se estou errado,
Outra graça, peço, que tu me concedas:
Me esclareça!
Faça a minha noite ir embora,
Eu sou aquele que por ti chora.
Se me conveceres do contrário
E me mostrares que a ilusão é minha e não tua.
Ah, então o Sol outra vez alcançará
a minha janela,
debruçar-me-ei sobre ela,
me alegrarei,
um novo cântico eu terei.
Até lá, sempre gritarei,
Nunca desistirei.
Minha última rima:
 Em toda a minha vida eu te amarei.
Edgar Parreira França

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Solidão


Solidão, quão belos são teus braços,

São fortes e, contudo, delicados,

teu abraço é então apertado,

confortável e gelado.

Envolvestes minh'alma,

e minha paixão agora já te ama.

Ah! Solidão, lembra de quando eu te conheci?

Eu era menino, e ali já estavas,

em tua pedofilia me aliciavas

nos corredores da escola.

Me desesperava, queria te mandar embora.

Eu então rodei, rodei e rodei,

outra companhia eu busquei,

e por vezes até que eu encontrei.

Mas as pessoas sempre se vão,

e o que me resta és tu, ó Solidão!

E quando via que eras sempre quem me acompanhavas,

mais ainda eu me desesperava, mas nem sempre podia fugir.

Por um tempo tive de estar, sem querer ficar,

em tua companhia e assim, teu frio me feria.

Decidi então contigo dialogar,

encarei-te em teu olhar profundo, carente, gelado,

e contudo, muito sábio.

Oh! Solidão, quem, como tu, saberá conversar?

Se teus braços são fortes e gelados, tuas palavras são incrívelmente envolventes.

Solidão, não quero mais te deixar,

Solidão, venha, vamos prosear.

Edgar Parreira França

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Salvação


oeEu estava sentado,
Olhando o gramado,

Pensando no sofrimento.


 

Reparei então,

Uma lagarta, cheia de vida,

Sendo devorada por várias formigas


 

Elas ferroavam, mordiam, doíam.

A alma da lagarta se consumia,

Era a morte que lhe atingia.


 

Olhava e chorava,

O sofrimento da lagarta é o mesmo de todos os vivos.

Então resolvi: Sobre elas soprarei,

as formigas correrão: Salvação trarei.


 

Outro pensamento então me assaltou:

Que serão das formigas? O que farei!

Ficarão sem sua refeição:

malfeitor é o que serei.


 
Não adianta essa consolação: Consumismo,

Já não me conforta o hedonismo,

Eu quero é salvação


 

Se em mim há descanso,

Então descansarei,

Mas se o que houver for tormento,

só tormento terei.

Edgar Parreira França

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Nosso Mundo

Nos afastamos de Deus, para sermos nossos Senhores
Nos afastamos e morremos,
nos afastamos e nos rendemos,
escravos nos tornamos dos Senhores que criamos.

Senhores glutões e beberrões,
Nos exigem serviço sem que haja descanço,
anda que não tenhamos mais o que lhes dar,
até o que temos nos é tirado sem que lhes haja real pesar.

Estamos vazios, já não temos nada,
Mas estes pouco se importam: querem comer, beber e se alegrar
nos fazem então roubar, saquear e pilhar para sua fome saciar,
mas a bebida não lhes embriaga e a comida não lhes enfarda.

Nos afastamos de Deus, para sermos nossos senhores,
Descobrimos então nossos horrores,
Percebemos a vilania dos membros dos nossos corpos,
Nos tornamos mentirosos e invejosos.

Criamos o nosso próprio mundo,
Mundo da Escravidão.
Nos afastamos de Deus e nos perdemos,
Nos afastamos, e sofremos.
Edgar Parreira França

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Os Espaços e a Lei



 

Vivemos em um mundo formado da matéria. Matéria esta que é finita, ou seja, possui início e fim. E tudo aquilo que possua início e fim, na verdade, carece de seu espaço. Pois, como é sabido, temos da Física que dois corpos não podem ocupar simultaneamente o mesmo espaço, para que um esteja é necessário que o outro se retire. Se não obedecerem à regra certamente não poderão coexistir integramente, tudo será reduzido a lei do mais forte. Se uma bigorna e um copo de vidro quiserem competir espaço então está óbvio o desfecho: o copo se quebrará, haverá prejuízos e danos, isto livrará então o mundo da bela utilidade de um copo. O próprio ser humano também é matéria, ocupa seu lugar no espaço e, literalmente, também precisa atentar à regra da Física, os espaços alheios precisam ser observados e respeitados para que não haja o prejuízo ao mundo. E para o bem destes espaços é que temos as leis.

É necessário que o outro ser humano tenha espaço para viver, sem que ninguém lhe usurpe tal direito. O mesmo ocorre em relação ao espaço para morar, para se alimentar, e para beber. Ter uma vida digna e liberdade. A lei não consegue impedir que estes espaços sejam violados. No entanto, em seu enunciado, no "não matarás", a lei lembra o ser humano de que este tem de respeitar a vida alheia.

Caso importante é o de Gênesis 1-3, já sabemos a história, no princípio criou Deus todas as coisas e inclusive o ser humano. Este foi posto em um jardim do qual poderia comer de quase todas as frutas, exceto da que se denominava "árvore do bem e do mal", tal era a ordem de Deus, ela colocava ao ser humano a responsabilidade de não desrespeitar o espaço do Criador, que é espaço para reinar, governar e ditar as regras pelas quais o ser humano deveria viver. Contudo, na tentação da "criatividade", isto é, de criar sozinho sem seguir o plano original, o ser humano usurpou a posição de Deus e a consequência disto foi à morte.

A consequência de se violar espaços é sempre a morte, se não física, pode ser relacional: no caso de Adão e Eva implicaram ambas as mortes, isto é, romperam o seu relacionamento com Deus, consigo mesmos e contraíram ainda a morte física. Ora, a lei de Deus não lhes impunha falta de liberdade, antes lhes garantia os seus próprios espaços, nos quais eles poderiam ter vida. Contudo, da liberdade galgaram a libertinagem e no fim perdeu-se a volição plena, porque morrer significa a perda do fundamental: o espaço para viver.

Agora, sem a lei, a vida se tornou uma competição pela mera e vazia existência, onde o mais forte é quem ganha. Isto fica claro em dois atos do texto, o primeiro é quando o homem e a mulher se percebem nus e se escondem um do outro. E na verdade a nudez aqui não é literal, mas representa a fraqueza do ser humano. Adão e Eva perceberam as fraquezas um do outro e precisaram escondê-las. O segundo ato é quando o próprio Deus torna-se uma ameaça, isto é, quando ainda baseados em sua nudez o homem e a mulher se escondem do Criador, porque ao se perceberem fracos se perceberam intimidados. Agora o ser humano criado tem de ter medo de tudo e todos, porque, senão, alguém poderia atacar e roubar o seu espaço, assim como eles roubaram o de Deus. Enfim, os traidores passam a vida com medo de serem traídos, porque, só conseguem ler o mundo a sua volta a partir de seus próprios vícios. Quando o Senhor percebe que se descobriram nus, ou seja, fracos, não precisou ouvir nem sequer uma palavra mais, sabia o que tinha ocorrido, escolheram abandonar a Lei.

Portanto na sociedade é necessário que se estabeleçam leis, com o intuito não de privar qualquer cidadão da liberdade, não para proibi-lo de poder tomar decisões sobre os seus atos, mas, com o fim de limitar suas decisões, para que possa decidir. Também não implica em meramente limitar a sua "criatividade" – isto é, a observação de novas maneiras de viver – mas antes, vem lhe dizer o que não deve mudar ou recriar, para que possa continuar inovando. Porque a lei, ao proteger seu espaço, seu direito a vida, lhe proporcionará o direito de ser livremente criativo. Cada um estar livre para fazer o que quer, significa estar livre para fazer, inclusive, como quiser, mesmo que viole os espaços significa na verdade por em  risco a sua própria liberdade..

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tiago 2, 1-10

O vestibular de uma universidade federal, nada é, senão uma forma de separar os bons dos ruins, aqueles que realmente merecem daqueles que não. Ao entregarmos nosso currículo, nada estamos fazendo além de mostrarmos as vantagens, e também desvantagens, que há em nos contratar, e então haverá uma comparação entre vários outros e aí, quem sabe, somos selecionados para uma entrevista, tudo isto para verificarem se estamos aptos a exercer o trabalho, se realmente temos algo a oferecer para aquela empresa.

De forma que, na sociedade, somos avaliados pelo critério da vantagem. Há alguma vantagem que possamos oferecer? A quem nos contrate, à universidade em que estudaremos? Ao grupo ao qual queremos integrar? Somos avaliados ainda como qualquer objeto exposto numa feira, somos pesados, medidos, etc. E enfim, vem o veredicto. Se formos capazes, se mostramos inteligência, força, resistência, as portas que almejamos se abrirão, as pessoas terão prazer em trabalhar conosco, pois, o nosso sucesso significa o sucesso delas, e é isto que interessa.

Talvez, este comportamento não seja condenável, a nível profissional. Quero dizer, é duro admitir numa federal um cara que nem se esforça realmente para isto, que, aliás, não vai ter capacidade de se desenvolver no curso, ai a seleção faz sentido. Também faz sentido que antes de contratar alguém, que haja uma seleção, isto é justo, assim aqueles que também não se esforçam, que não merecem, correm o risco de ficarem desmascarados. Aliás, sem isto, corremos um risco ainda maior de sermos examinados por médicos despreparados, ou de sermos salvos por bombeiros que não sabem aplicar os primeiros socorros. Até mesmo para ser pastor, ou missionário, há este tipo de seleção, que a Bíblia diz que deve ocorrer.

Mas o problema é quando uso a ótica da vantagem em todos os graus de meu relacionamento com meu próximo. É terrível quando, para nos tornarmos amigos, aplicamos os critérios do mercado. É detestável quando apenas nos aproximamos de pessoas que podem nos oferecer algo.

É isto que o nosso autor Sagrado está condenando. As informações sobre a epístola de Tiago são bem escassas, de forma que, não podemos entender muito bem o contexto, mas, pelas informações do próximo texto fica nítido que estava ocorrendo uma segregação na igreja, uma separação. E nisto, aos ricos, estava sendo destinado o lugar de honra, enquanto que ao pobre a humilhação, estava acontecendo ai de a dignidade do pobre estar sendo negada.

Podemos imaginar o porquê de alguém fazer isto, ainda em nossos dias há pessoas deste tipo, o evento ainda se repete em nossos dias. Faziam isto porque não viam no pobre alguém que lhes pudesse oferecer qualquer vantagem, aliás, o pobre não oferece outra coisa senão prejuízo, porque ele precisa de ajuda, muitas vezes para se alimentar, para se vestir, para poder vir à igreja. Mas justamente no caso oposto, o rico não é assim, antes, oferece aparente vantagem ao pobre. Ah! Ter um amigo riquinho é massa "né"? Ele pode pagar coisas para você, vai te inserir em meios muito legais, festas. Ir à casa do rico, muito melhor que na do pobre, lá no pobre você faz o que? Fica conversando ou então, quem sabe, assistindo televisão, filme em canal aberto, ou vamos a internet, na "lan house" ou então naquele computador lento que nem uma carroça. É possível que o amigo rico te pague um lanche, ou sei lá, mas se você sair com o pobre... Eu mesmo, quando morava em Brasília, eu tinha um amigo, o Lucas, no fim de semana agente juntava, comprava duas ou quatro tranças salgadas, comprávamos uma coca, e íamos comer na praça, enfim, pobre além de comer coisas mais baratas tem que pagar o mico de parecer estar tendo um encontro com aquele cara.

Mas então, voltando à Bíblia, estava ocorrendo então de que, quando pesavam as vantagens e desvantagens da relação com o rico e com o pobre, o pobre como sempre saia perdendo, porque preferiam aquele ao invés deste. Acontecia então de avaliarem o pobre como alguém indigno, como alguém sem condições de estar a mesmo nível do rico.

Será que ainda hoje isto ocorre? Por um lado podemos perguntar se ocorre exatamente como aconteceu lá, na época de Tiago, e é surpreendente saber que sim, ainda ocorre. Quando fui ao Rio de Janeiro, com o grupo da Missão Horizontes- uma agência missionária que por algum tempo eu integrei- ficamos numa igreja que embora situada num bairro nobre ficasse bem ao lado de uma favela da qual alguns moradores freqüentavam aquela igreja em que estávamos, foi surpreendente saber que eles eram discriminados, se sentiam rejeitados na comunidade, colocados de lado, justamente por aqueles irmãos que compunham a maior parte da Igreja e que na verdade eram justamente da classe média e média alta. Eu ouvi desabafos chorosos de irmãos que sonhavam com a visita do grupo de oração, que até marcavam a data para ir, mas justamente neste dia todos faltavam. Eu não sei como isto funciona aqui na MEUC, não conheço muito afundo a relação entre vocês, mas, se ocorre isto, de alguém desprezar um irmão em detrimento do outro por questões financeiras, então quero pedir a este que ouça bem este sermão!

Mas nem sempre as condições financeiras são o critério, às vezes há o critério da personalidade, aquele papo de "O meu santo não bate com o dele", é quando nos desprezamos por acharmos o irmão chato, por pensar que ele é irritante demais para se relacionar comigo, quero dizer, a desvantagem que ele me oferece nesta relação, de gastar o meu carisma a toa, não vale apena. Ou então, é que ele não curte as mesmas coisas que eu, quero dizer, não rola papo, eu só me relaciono com quem gosta de tudo que eu gosto, porque somente alguém com os mesmos gostos que eu é que é digno de mim. Ou então, como já me disseram, eu me relaciono com o fulano porque ele parece ser inteligente, no fundo, talvez, a pessoa quisesse dizer: "Inteligente como eu." E enfim, nos nossos dias as pessoas estão "coisificadas" a todos os níveis, de forma que, escolhemos nossas companhias como escolhemos uma máquina, ou um objeto qualquer exposto numa vitrine.

Não deve ser assim para o cristão, para aquele que diz ter fé em Jesus Cristo. Quando fazemos assim estamos julgando com base em maus critérios, com maus pensamentos, ou como diz certa versão: "com juiz criminosos", isto significa que, quando estamos julgando assim estamos aplicando um principio que é contrario à lei, e que lei: Contra a Lei do Reino que é o amor. E isto significa não pequeno problema. Porque, se vamos contra a Lei do reino, significa que estamos fazendo a nossa própria, que estamos assim nos tornando mais do que meramente Juízes, mas também legisladores, mas há apenas um legislador e juiz entre nós, é Jesus Cristo e ele legislou o amor, qualquer um que queira se colocar como um juiz e legislar se põe como um anticristo, como alguém que se pretende colocar no lugar do próprio Deus, porque "anti" significa contra ou no lugar de.

Quando nos reunimos em sua casa, aqui encontramos aqueles que foram chamados por Deus para agregarem o corpo de Cristo, aqui estão os eleitos do Senhor, ele nos chamou e nos amou, lavou os nossos pecados, nós somos nascidos dele, foi o Senhor que nos achou especiais, foi ele mesmo que nos acolheu. E que grande lucro nos poderíamos lhe oferecer? Ao Senhor do Universo? Como podemos compensar um ser infinito que de nata tem falta? Mas mesmo assim ele nos amou na nossa miséria nos amou, e tanto amou que deu o seu Único Filho para morrer por nós.

Então, embora não tivéssemos nada a oferecer mesmo assim fomos acolhidos, e é neste amor que devemos nos inspirar para receber nosso irmão, o critério dos nossos relacionamentos não deve ser aquilo que podemos ou não receber, mas pelo contrário, aquilo que já recebemos:


 

1 Jo. 4, 10-12, 19: "Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados 11 Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros."

19: "Nós amamos porque ele nos amou primeiro."


 

Ou seja, o critério não é quanto tem o nosso irmão, se ele é legal ou bonito, se fede ou cheira bem, se tem um "sorriso Colgate" ou não, se mora numa mansão ou num barraco, se é bom nisto ou naquilo, se sabe isto ou aquilo, não, não é nada nas pessoas aqui que nos deve fazer amá-las, mas, o fato de que Deus nos amou, isto, acima de tudo, deve nos fazer amar o nosso próximo. A carta está falando de uma situação que ocorre dentro da igreja, mas também fora destas paredes devemos nos portar assim, porque Deus nos ama também o tempo inteiro e não apenas quando aqui estamos, desta mesma forma devemos amar a todo o tempo.

Sei que há um desafio, que não é o nosso próximo, mas nós mesmos, o nosso orgulho de acharmos que somos aptos a definir quem merece e quem não, mas meus irmãos, devemos nos prostrar diante de Deus, precisamos reconhecer diante dele a nossa prepotência, nossa arrogância, se assim fizermos, então ele agirá em nós, o seu Santo Espírito nos ensinara a amar.

sábado, 19 de junho de 2010

Tiago 4, 1-10:

Tema: A Cegueira.



Introdução:

No texto que acabamos de ler, o nosso irmão Tiago, trata de um problema que tem atingido a todos os seres humanos e vem causando terríveis conseqüências para a humanidade. Trata-se da cegueira.

Como é sabido, existe não apenas uma causa para a cegueira, na verdade existem pelo menos cinco. Existe a cegueira causada pelas doenças infecciosas (Tracoma, sífilis), pelas doenças sistêmicas (diabetes, arteriosclerose, nefrite, doenças nutricionais graves), por traumas oculares (pancadas ou ação de ácidos), e também existem as causas congênitas (catarata senil, glaucoma, miopia maligna). E, na verdade, em Tiago, estamos tratando de uma quinta causa para a cegueira, estamos falando aqui da que é causada pelo egoísmo.

O egoísmo, uma vez infectando sua vítima, vira os olhos dela para dentro de si mesma, e assim, esta se torna incapaz de enxergar, de enxergar qualquer coisa além dela mesma, de seu grande projeto de vida: A sua satisfação pessoal. As conseqüências desta cegueira são bastante drásticas.



Desenvolvimento:



1-2: Cegueira: Relacionamentos Humanos:



A visão é um dos sentidos que nos possibilita o relacionamento com os outros seres humanos. Quando vemos, percebemos, quem ou o quê está à nossa frente. Mas se está cego, tal capacidade também é prejudicada, ai a pessoa torna-se ineficiente em perceber se o que está diante de si é algo ou alguém, ou mesmo, se estamos diante de algo ou alguém.

E que grande confusão isto significa, pois, aos objetos, usa-se, às pessoas, ama-se. Mas ao tornar-se cego, e não ser capaz de distinguir as coisas então acontece de se usar pessoas e amar objetos. Ou então, não sendo capaz de ver quem está ao redor acaba-se por atropelá-lo.

Como já dito, esta doença tem proporções mundiais, imaginemos então que o nosso mundo está cheio de cegos, de bilhões de cegos, que, o tempo todo, se atropelam ou então tentam usar uns aos outros, a conseqüência disto então, conforme aponta o nosso autor sagrado são a guerra, a mentira, a inveja. E estas conseqüências são constantes para quem é cego, pois, embora lute, minta, roube, mate, nunca há êxito em sua busca, porque na verdade, nada do que consegue é capaz de satisfazê-lo, pois, o ter tornou-se o objetivo do seu viver, e enquanto vive, quer ter.

E, porque isto acontece? Acontece porque, uma vez cego, é impossível perceber o outro de forma completa, não dá pra enchergar o espaço do outro, o direito do outro, os desejos do outro, apenas está na ótica o próprio espaço, o próprio direito, os próprios desejos.

Nos tempos de Tiago esta doença já atacava, e nos nossos dias ainda é uma realidade. Tem causado aquilo que nosso irmão alertou que ela de fato causa, guerras, inveja, mortes, e ainda se desdobra de outras maneiras no nosso dia-a-dia. Por exemplo, quando dirigimos acima da velocidade permitida no trânsito, porque precisamos chegar rápido, ou porque queremos nos divertir, só que ai, estamos passando por cima do outro, do direito de ir e vir, do direito à vida; ou então, quando para nos promovermos nos aproveitamos do fracasso do outro, pisando e humilhando, usando o nosso próximo como um degrau; também ocorre quando acumulamos tantos bens, tanto conforto, sem nos importarmos com quem nada tem.



3-5: Cegueira: Relacionamento com Deus:


A cegueira também tem implicações no relacionamento para com Deus, o cego poderá ignorar a existência de Deus, mas haverá o caso também em que da mesma forma que coisifica o ser humano, também tentará coisificar o Senhor. Ao invés de se prostar diante dele, reconhecendo seu Senhorio, verá em Deus um meio para a realização de seus desejos.

E isto, nos mostra Tiago, fica claro na oração, pois esta se torna o meio de tentar conseguir fazer com que Deus cumpra seus desejos egoístas, e no entanto, nada pode derivar disto senão a decepção, pois o Senhor não abre mão de sua soberania, seus planos não se frustram, ele não se curva aos seres humanos, estes não podem usá-lo. Ele não atenderá às suas orações.

Antes, Deus se opõe ao egoísta, ao cego, porque não aceita dividir seu lugar, nos ensina o texto, ele é um Deus zeloso, ciumento. E o cego, em sua ambição, ao invés de dar o trono de sua vida a Deus o entregou as coisas inferiores, o entregou a este mundo. Não é possível servir a dois senhores, a um se amará, mas, ao outro, se aborrecerá, não é possível servir a Deus e à Mamon. Desta forma, a amizade do mundo se torna inimizade contra Deus, quem quizer ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus.



6-10: Cegueira: A Cura:



Diante de tão terríveis conseqüências somente nos resta desejar a cura. E daí vem a pergunta: Aonde ela está?

É conhecido que na Bíblia quem curava os cegos era o Senhor Jesus Cristo, hoje a medicina evoluiu, e os milagres do mestre, ao que parece se tornaram dispensáveis, há cirurgias que podem solucionar muitos tipos de cegueiras e mesmo para as que ainda não têm uma solução definitiva as pesquisas fazem promessas.

Todavia, para a cegueira da qual estamos tratando aqui, não há qualquer interferência cirúrgica que possa dar solução, pois sendo um problema que atinge a todos os seres humanos faz com que um não possa agir a favor do problema do outro, imagine só um cego que tenta fazer uma cirurgia. Também o próprio cego não tem condições de curar a si mesmo, a cura está, porém está tão somente em Cristo.

E como lemos em nossa carta, é necessário voltar-se para Deus, é preciso que o nosso sorriso prepotente abra caminho para o choro que reconhece a nossa miséria, é necessário humilhar-se diante de Deus, e então ele virá ao nosso encontro e nos resgatará de nossa humilhação, ou seja, ele nos exaltará. Ele abrirá os nossos olhos e então seremos capazes de ver, seremos capazes de amarmos as pessoas, seremos capazes então de amarmos ao próprio Deus, porque ao ver perceberemos o quanto Deus é amável, e então seremos também capazes de vermos Cristo no nosso próximo em nosso próprio, seremos então capazes de amar como ele mesmo ama.

É claro que, toda via, não é assim que, num momento nos tornaremos tão perfeitos, mas é que se nos voltarmos para Deus ele iniciará o seu tratamento, e dia após dia, o seu Espírito nos transformará à imagem do Filho de Deus, e então, um dia, chegaremos à estatura de homens maduros e íntegros, seremos assim como Ele mesmo é.

Jesus é resposta pra todos os dilemas.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Viver ou Sonhar?




Não poucas pessoas em nossos tempos sonham mais do que vivem, porque ao invés de serem felizes no hoje, no agora, com aquilo que têm, postergam a felicidade para um dia, para o dia da felicidade, em que terão isto, aquilo, e assim acabam deixando de também viver durante toda a sua vida.

Um dos motivos que levam o ser humano a postergar a vida é algo que já de longa data ilude a humanidade: “O ter”. As pessoas colocam o motivo de sua alegria, de seu prazer naquilo possuem, ou naquilo que não possuem e querem possuir, o problema da felicidade buscada assim, porém, é que nunca satisfaz quem a busca.

Diz um trecho de Eclesiastes que quem ama o dinheiro jamais ficará satisfeito, e em outro lugar das Escrituras, em Provérbios, é dito que: “A sanguessuga tem duas filhas, a saber: dá e dá”. Ou seja, estes trechos nos ensinam que a ambição humana não tem fim, o desejo de ter nunca se basta, porque quanto mais se tem mais se quer ter, e isto acontece porque a princípio o ter é prazeroso, mas logo o objeto conquistado torna-se uma monotonia amais da vida que remete outra vez ao tédio, o remédio então é ter novamente, ter outra coisa, mas o ciclo se repetirá e o que se tem é na verdade um ciclo vicioso. O ser humano fica preso então na expectativa de um dia ter, um dia, ser feliz, um dia, viver.

Contemporaneamente, o potencial da ambição humana é explorado pelo Marketing, as propagandas que incitam as pessoas a comprarem coisas para que então possam ter suas vidas completas, para que possam então ser felizes. O problema é que a maioria da população não pode ter muito do que é oferecido, resta-lhes então o sonho, de um dia ter, a vida então se torna um ideal, deixa de ser real, porque o ter, quando tiver, será em fim aquela vida ideal. Contudo, com já falamos em outras palavras, nunca se terá o suficiente para ser feliz.

Isto leva as pessoas a já não amarem o que são, mas amarem aquilo que os garotos e as garotas propagandas são: belos e felizes. As pessoas lutam então contra seu atual estado acreditando que o ter vai de alguma forma vai alterar sua essência. Isto fica claro quando um jovem ao invés de dizer: “Quero ter bastante dinheiro”, diz: “Eu quero ser milionário”, a diferença sutil está em que no segundo caso o que se expressa não é meramente o desejo de ter, mas de ser. E porque ser aquilo e não o que já se é? Porque imagina-ser a felicidade na forma de ser “milionário” porque ele pode ter tudo o que quer.

E neste contexto é que viver se torna algo indesejável, perigoso, porque é decepcionante, a vida como é está inaceitável, precisa ser moldada conforme os sonhos. O problema, porém, é que o ideal jamais ocorrerá. E neste contexto então o necessário é aceitar a vida como ela é, e aprender a ver a felicidade nos cantos aonde antes se pensava que ela não estava, é necessário aprender a ver a felicidade mesmo no pouco. É claro, isto é difícil, mas sendo infelizes no pouco no muito não estaremos melhores. É necessário sermos felizes por aquilo que somos ao invés de por aquilo que temos, e na verdade, só teremos condições de encontrarmos felicidade em quem somos, quando enfim estivermos em Cristo.

O seu sangue vai cobrir nossas deficiências, e quando olharmos para aquilo que somos seremos então capazes de vermos Cristo, Jesus Cristo em nós, e dia após dia, seu rosto resplandece sobre o nosso, sim, o homem que está em Cristo é capaz de ser feliz com aquilo que é, e de amar aquilo que é, e de viver a realidade. Porque a motivação da felicidade não é algo instável como o ter, mas a presença de Cristo em nós, e esta nunca nos abandonará, esta é que se torna a realidade. Em Cristo somos capazes de sonhar, com bens matérias, e até mesmo, com um dia melhor, mas de forma equilibrada, o presente, a realidade, logo se torna algo desejável para nós, porque ai é que Ele se relaciona conosco, mostrando o cuidado, revelando o seu amor, e nos tornando à sua imagem e semelhança dia após dia. Jesus Cristo nos torna capazes de viver e sonhar.



Edgar Parreira França.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Achei legal:

Jesus é resposta pra todos os dilemas.